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Individualismo.

É difícil eu me sentir (inteiramente) bem. Ou melhor, é fácil demais para eu estar bem sozinha, sem considerar como os outros estejam. Ou, melhor ainda, sem deixar que os outros interfiram no meu bem estar. Eu posso encher a boca ao dizer que me sinto bem, mas os quatro cantos me respondem com o oposto – o ar que sai de cada direção traz as lamúrias, as insatisfações, as frustrações com os desapontamentos daqueles que insistem em deixar seus joelhos falharem. E há sempre aquele que parece fazer questão de desalinhar o seu chão, colocar a pedra no seu calçado ou, por que não?, te dar aquela rasteira não tão inesperada.

A questão é que eu estou cansada de ser recepcionista do azar com negatividade alheia. É um tanto absurdo ser necessariamente colhedora das sementes de outrem. Eu escolho estar como eu decido, ao meu bel prazer, como bem me aprouver e ponto. Mas o produto é diferente daquele que meus fatores montaram. Não me apetece a ideia de que posso estar sendo terrivelmente egoísta por cuidar de mim, por tratar das minhas próprias feridas e por erguer o meu queixo enquanto caminho pelas ruas, mesmo em roupas velhas e cabelo despenteado.

Eu sei que a situação não é das melhores, que não está fácil para ninguém, mas há sofrimento por todos os lados, há sempre um lado pro qual a balança vai pender, há sempre quem vai sangrar mais e o outro chorar menos. A real é que eu cansei de me sentir culpada por tais acontecimentos e outros. Eu não quero ter de carregar o fardo pela chuva lá fora, por pais desesperançosos, por uma sociedade às avessas, por simplesmente toda e qualquer outra coisa. Eu realmente acredito que podemos estar como queremos.

Você quer riqueza e não a tem? Parabéns, mas por que diabos isso (e qualquer outra coisa) tem de determinar a sua forma de ser? Por que estarmos limitados a fatores externos quando podemos exteriorizar o nosso interior? E não o contrário. Por que não cuidar de ti e deixar que outras pessoas cuidem de si mesmas? Garanto que parceria, irmandade, compaixão e compreensão ainda estariam presentes e, arrisco dizer, de forma mais verdadeira.

O compromisso com o outro não deve ser maior do que o compromisso que arca contigo próprio. É falado, compulsoriamente, sobre a busca pelo amor… E raramente se é ouvido na busca por seu amor próprio, sem simplesmente amar quem você é, mas buscar conhecer quem “você” seria.

Vibra de maneira diferente, busca a frequência do rugido de um leão, tenha o timbre que cativa a teus ouvidos e mantenha o ritmo que seus pés se inclinam a dançar. “Seja quem você é, porque ser diferente já não é mais tão diferente assim.”

Eu me incomodo fortemente, incômodo que move meu estômago para a garganta, regando meus olhos e falhando minha respiração que varia entre suspiros e o ar entrecortado de pulmões cansados, com a tristeza que ecoa de qualquer direção que o vento escolha soprar. Eu não viro as costas para cutucadas ou tiro o telefone do gancho numa tentativa mesquinha de ignorar chamadas, mas eu definitivamente não tenho o posto de mártir, recuso a me alojar entre coitados e dignos de pena. Eu quero sentir a força com a superação, para escancarar sua possibilidade patrocinada pelo desejo, em cada par de olhos que fitar os meus.

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