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Paz e olhos.

Li uma vez sobre um sorriso capaz de encerrar guerras e curar o câncer, pensei que o autor se referia a você, pois, foi pelo teu sorriso que me apaixonei também, mas com seus olhos me vi ao amor entregue e, então, por você inteira como se, enfim, houvesse paz, não só a mundial, mas a interior, o que é algo muito mais difícil.

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Olhos

Às vezes, quando eu paro em frente ao espelho, sozinha, no silêncio, e fico olhando bem fundo nos meus olhos, não consigo me reconhecer. Como se eu estivesse vendo uma outra pessoa no meu reflexo, que não corresponde aos meus sentimentos, aos meus pensamentos… E ela me dá meus movimentos, mas bem sutilmente, como se estivesse me imitando para eu não perceber a diferença. Às vezes, eu não me sinto em mim, me sinto a pessoa do espelho. Então olho mais de perto e me vejo em minhas pupilas, com os braços esticados, gritando por socorro. Tentando inutilmente quebrar minha íris e sair de lá.

Diana Fragueiro

Eu entendo, mas isso não muda nada.

Sempre entendi os loucos, os burros e os filhas da puta – são felizes. A felicidade que nunca estendeu sua compreensão para os meus braços.

Os filhas da puta, em particular, são aqueles que se fazem mais claros, são os que me desdobro, ou então por epifania, mas os compreendo para que não ocupem ainda mais espaço com rancor em meu organismo – e deve ser por isso que exaustivamente lido com filha da putagem.

Não é que só me relacione com filhas da puta, eles seriam assim caso me permitisse a enxergar sua podridão, mas repito: não faço dos defeitos empecilhos e, não raramente, só sinto (e sentimento é mesmo para se sentir, não para se pensar sobre).

Pois então, entendo que minhas reações e ações não sejam reproduzidas por alguma outra pessoa, entendo que não gostem de mim e sequer sintam empatia, entendo que o que tivemos não tivemos – a carência não deve ser tão estimada -, entendo que facilmente tenha se distanciado e então partido como se mal tivesse vindo e visto o que viu e feito o que ainda resta.

Entendo que não esteve na minha, entendo que não quis prolongar minha companhia, entendo que mesmo se estivesse numa casa vizinha ainda não me convidaria para visita, entendo que cada palavra desta e cada após como posterior sequer passarão por sua vista.

Entendo o que me forço, não entendo o por que dos esforços, entendo que tenha ido e não entendo por que ainda escuto seu riso, tenho seus olhos comigo e não deixo de sentir como sinto.

Te entendo por si só, sim, a admiro e a estimo,  mas não entendo como você é você se não um você comigo – e sem pretensões de mudar isso, não entendo pois insisto em ser eu-contigo e não esse meu eu perdido tão só quanto um eu-lírico.

Olhos, meus.

Em cada olhar, gritos castanhos de horror.

Deixa-me dizer dos olhos, esses assustadores de uma figa. Eles me pregam sustos, os medos chegam com o frio na espinha. Não vou dizer sobre o par de olhos esverdeados agora, ater-me-ei aos meus, pois sequer sei se são meus. São amedrontadores porque, quando os encaro no espelho, não vejo conforto algum. Reconhecimento nenhum. Não há familiaridade. Não há nada ali, nada substancial, nada acolhedor. Os olhos me fitam de volta, mas não sei o que são, não sei quem os possui, por que eles parecem destacados de minha face, do meu organismo inteiro – e o que está neles, com eles ou, quem sabe, dono deles, me passa a inquietante sensação de que me fará mal, de que me observa incessantemente, que vai me puxar para sei-lá-onde e que não há retorno. Recebo de mau grado o vazio magnético que há neles, parece haver algo prestes a avançar, algo tão imóvel que não me convence de sua existência, mas também penetrante numa imponência congelante. Os olhos são gritantes. Há um enigma sobre eles e o que há neles, parecem uma passagem, como uma porta entreaberta, mas nada convidativa – embora intrigante -, e então é como um atormentável pedido de ajuda vindo do fundo desse cômodo.

“Seus olhos sempre me assustaram, desde que nos conhecemos, eu tenho medo deles e nunca olho dentro deles ou diretamente para eles – nem mesmo em fotos.”