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Não sei esclarecer.

Músicas as vezes parecem berrar, barulhentas demais até que no instrumental. Os filmes, agressivos, cheios de mensagens subliminares ou escancarando o que não é do meu interesse. As fotos ainda variam demasiado. Por mais que eu tenha músicas para escutar, livros para ler, filmes para assistir e fotos para ver, eu fico deitada, sentada, fico em outro lugar, noutra dimensão, num lugar paralelo ou sei lá, eu só me “desligo” sem saber o que estou fazendo e onde estou, até que tenha se passado um intervalo de tempo qualquer e eu não me recorde nem de poucos segundos atrás.

Eu estou uma bagunça e não me acho nem se virar do avesso, abrir e sacudir meu conteúdo.

Parece que vou me debulhar em lágrimas, chorar até não haver mais oxigênio, que vou secar e me desfazer, mas essa sensação se limita ao meu interior, então é como se eu estivesse aos prantos de bochechas secas mas olhos não menos ardidos e cansados.

A ansiedade me consome, fico agitada mesmo quando inerte. 

De muitas maneiras é como se meu organismo fosse composto de algo corrosivo e eu estivesse apodrecendo, adoecendo, me ferindo, me dissolvendo e me tornando o que não sei nomear. 

Quimera eu soubesse me pontuar, sei da agonia sem pausa, clamando por atenção a cada entranha a mais que revira. 

Eu estou cada vez mais congelante, também, as mãos geladas já são algo além disso.

Eu precisaria estar mais em ordem, com alguma linha de raciocínio ou pensamento ordenado para continuar, mas não consigo.

(Tem uma coceira aqui dentro, ao mesmo tempo que parece ter agulhas em minha corrente sanguínea e garras que me dilaceram de dentro para fora, ainda sinto um impulso de fazer o que eu nunca sei bem o quê, mas que acabo fazendo da pior forma.)

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Raio de Amor.

Que raio de amor é esse que acolhe sem ter abrigo? Que raio de amor é esse que se sente sem ser sentido? Que raio de amor é esse que não se mede mas luta para ser contido? Que raio de amor é esse que não se encolhe quando repreendido mas não se ampara quando simula dar-se por vencido? Que raio de amor é esse com que não se brinca, mas que não é levado a sério por quem só o subestima? Que raio de amor é esse que não tem companhia, mas que não me larga e nem desatina? Que raio de amor é esse em que não há nós mas cisma com algum enlaço? Que raio de amor é esse que se alimenta de ilusões autoinfligidas mas que tem os joelhos falhos com memórias ainda tão vívidas? Que raio de amor é esse que passa meses com esperanças vãs? Que raio de amor é esse incessante e até delirante?

Ninguém cede ou descomplica, lhe fazem galhofa e ele suplica para que a emoção mantenha a chama viva, e a ele nada se nega, ele se incendeia acalorado quando só há gelo do outro lado. O raio do amor atormenta, não há surpresa, o raio do amor sabe que dali não há mais o que vir, mas ele só sabe sentir.

Pede-se que pare e que não mais bata, mas ele se chacoalha e num rompante dispara ao vislumbrar a amada. Pede-se que se contenha, e mesmo assim se atira, que raio de amor, que pira! Pede-se sossego e rendição, mas o raio do amor não conheceu a redenção.

Que raio de amor é esse que não desiste? Por que diabos insiste? Não há fracasso e nem ego ferido, mas ele não se encarrega de mudar o seu compasso, de trilhar outro caminho – de preferência pelo asfalto, de sair do ritmo e parar de faz de conta com tanto oxigênio dedicado, tanto pensamento nomeado, tanto sonho a dois que tivera e não deixara resguardado, tanta sensação que não se descreve mas mantem o sentimento declarado.

Mas que raio de coração que ao invés de bater só apanha.